Como surgem as Hérnias Discais

As hérnias discais ocorrem quando as cartilagens que protegem os ossos da nossa coluna vertebral, saem do anel externo em direção ao canal espinal, provocando pressão sobre os discos. O que acontece é que a cartilagem, ao migrar para a parte lateral ou posterior da coluna, irá ocupar o espaço de onde sai a raiz nervosa e provocar uma dor forte na zona associada, ou até mesmo criar uma dor ciática (se for na parte lombar, por exemplo).
Se for na parte cervical, a hérnia discal irá comprimir as raízes nervosas ou a medula e provocar uma dor forte no pescoço, impedindo muitas vezes de virar a cabeça de um lado para o outro e provocar uma dor que pode descer pelo pescoço abaixo, impedindo de movimentar ou trabalhar.

Isto acontece de uma de duas formas, uma mais aguda e espontânea, provocada por exemplo por um excesso de peso levantado ou por um esforço exagerado, quer seja no trabalho ou no desporto. A segunda, a causa mais comum, é a causa crónica que, por sua vez, é de origem biomecânica, em que a pessoa teve traumas repetidos ao longo da vida (acidentes, más posturas, quedas, entre outros) que provocaram desalinhamentos na coluna vertebral, provocando um desnivelamento das vértebras e a consequente pressão sobre os discos e saliência destes.

Vejamos um exemplo:

Um paciente que aos 5 anos tenha dado uma queda, e que acabe por criar um desalinhamento de uma ou mais vértebras, acaba por manter esse desalinhamento ao longo da sua vida e vai criar uma assimetria na coluna, obrigando-a a suportar mais peso num lado do que noutro; esse desequilíbrio obriga à migração da cartilagem para o lado oposto forçando o equilíbrio, criando uma ofensa no nervo e provocando dores.

O profissional quiroprático está devidamente habilitado e formado para preparar a coluna para voltar à posição inicial, atribuindo uma biomecânica normal à coluna, transferindo o peso para o centro desta e, consequentemente, fazê-la voltar à sua posição normal até a hérnia desaparecer. Em média, sobre o total das pessoas consultadas, o quiroprático consegue ajudar 80% destas, considerando que 20% estão numa situação mais aguda ou crónica há muitos anos, acabando por ter que recorrer, com a própria recomendação do especialista, à cirurgia. Contudo, mesmo depois do paciente passar pelo processo invasivo cirúrgico, terá necessidade de retomar tratamentos para corrigir a sua biomecânica, a fim de prevenir novas incidências.

É fundamental que, antes de recorrer à cirurgia, avalie a situação junto de um quiroprático devidamente credenciado, a fim de poder prevenir a cirurgia. Para quem não tem essa facilidade imediata, recomenda-se evitar no entretanto duas posições fundamentais:

  1. A posição de flexão, evitando defletir para a frente – esta é a posição que mais provoca irritação nos discos;
  2. Evitar estar sentado mais do que dez minutos seguidos, sem se levantar por um instante (a imobilidade na posição sentada provoca mais stress nos discos).

Cumprir com estes dois cuidados básicos ajuda significativamente na qualidade de vida de quem sofre de hérnias discais.